Galardoados Nobel: Da rejeição inicial ao reconhecimento
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O Economia compila recursos para economistas na Internet, produz conteúdos sobre a economia em geral e acompanha a actualidade económica mundial e em especial a portuguesa
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Num excelente post no blog New Economist é discutido se a opinião pública e académica em relação à globalização começa a mudar num sentido de se aplicarem várias reformas ao sistema económico global. Os assuntos debatidos variam desde programas de redistribuição de rendimento, uma politica fiscal global e apoios aqueles que efectivamente têm perdido com a abertura dos mercados. Com várias referências e já uma discussão aberta em comentário este é sem dúvida um assunto a seguir: Globalisation - has the tide of opinion turned? |
Os problemas de crescimento económico que Portugal tem enfrentado durante o início do século XXI são, em parte, resultado do desajustamento macroeconómico que tem existido desde a entrada em vigor do Euro. Desde esse momento que a politica monetária deixou de ser uma opção para produzir ajustamentos rápidos na competitividade industrial. Quais os principais problemas e quais as possíveis soluções neste enquadramento? Ainda sem tempo para abordar estas questões aqui no Economia, deixo um artigo de Olivier Blanchard originalmente apresentado na conferência de Primavera do Banco de Portugal de 2006 que tenta abordar estas duas questões. Este artigo apesar de ser um working paper de um académico é ainda assim um artigo fácil de ler, onde o autor tenta abordar o tema com a ajuda de vários indicadores estatísticos e com isso responder às questões colocadas no parágrafo anterior. -Adjustment within the Euro. The Difficult Case of Portugal |
Segunda parte do documentário "The Century of the Self" de Adam Curtis que aborda a influência das ideias da Sigmund Freud na psicologia, política, marketing e relações públicas no século XX. |
![]() Os responsáveis por estes teasers são também os responsáveis pela elaboração do chamado livro branco das relações laborais. Uma comissão que é suposta avaliar e propor medidas de legislação laboral, que como todas as outras comissões promovidas por este Governo apresenta umas medidas avulsas acerca do assunto em si, de forma a observar as reacções. Como tudo isto ainda é muito nebuloso e as experiências actuais que se vão passando no Ministério da Saúde apontam para uma canibalização da política e reformas em beneficio da promoção de um conjunto de medidas ao belo estilo das mantas de retalhos, que sem nexo nem objectivos se vão tornando medidas reais, não acho que seja oportuna fazer ainda muitos prognósticos. Como não possuo nenhum elemento que possa verificar o que ai vêm deixo não a critica às propostas mas sim a esta forma de fazer política que promove a incerteza e canibaliza o debate. Algumas das supostas futuras propostas podem ser encontradas em dois pequenos artigos do DN e JN. Há alguns anos o debate acerca da política fiscal apontava para a necessidade de reduzir o IRC. Em conversas com vários economistas e contabilistas acabei por chegar à conclusão que num clima de incerteza e estagnação a descida da taxa real de IRC em 1% a 2% acabaria por ser reflectida apenas num aumento das provisões das firmas em detrimento do investimento. Um choque na oferta limitado iria ser usado como um mecanismo de redução do risco pelas firmas e não iria contribuir para o aumento investimento e da oferta. Essas ideias na altura não se demonstraram erradas. O problema era de competitividade e do lado da procura, medidas puramente do lado da oferta não teriam efeitos significativos. A política fiscal não era um instrumento viável. Tendo em conta as medidas preliminares propostas para revisão do código do trabalho sinto que caminhamos no mesmo sentido. Nos dois artigos que revelam algumas das intenções futuras julgo que caminhamos em direcção aos mesmo erros. Parece haver um objectivo claro nestas novas medidas de transferir poder de mercado do lado dos trabalhadores para o lado das firmas não se apresentando nenhuma medida que aponte para a diminuição dos custos de contratação e segurança social das firmas num contexto intertemporal. Uma política limitada deste tipo poderá ter o mesmo efeito que a redução do IRC em tempos teve. As firmas podem usa-la para obter maior liquidez financeira num mercado pouco mais que estagnado. A perca de poder dos trabalhadores aliada à inovação tecnológica, sem uma evolução favorável da procura que expanda a dimensão do mercado, pode mesmo levar a um aumento do desemprego. Desemprego esse na minha opinião desnecessário, pois apenas existe devido ao excedente excessivo retirado pelo Estado à economia privada sem o respectivo retorno em protecção. Trabalhadores com mais incerteza e sem uma protecção social adequada terão uma propensão a consumir menor, contribuindo assim para a redução da procura e limitando o crescimento da economia ao crescimento do sector de bens transaccionáveis. Este é um efeito perverso deste tipo de política pois não contribui para a competitividade do sector exportador mas sim transfere custos de segurança social do Estado e empresas para os trabalhadores. Reformar o código do trabalho contra a criação de emprego e a competitividade pode ser um erro tão fatal como foram as expansões fiscais promovidas pelos governos de António Guterres e de Pedro Santana Lopes. O objectivo desta reforma não se pode limitar a esta transferência de custos entre agentes de mercado mas sim promover o emprego economicamente racional e a reestruturação económica e tecnológica do sector produtivo. O excedente para cumprir estes objectivos encontra-se na posse do agente de mercado mais ineficiente, o Estado, seja sobre a forma de limitação de receitas ou diminuição de despesas e programas excessivamente distorcionários que existem hoje no mercado de trabalho. |
Na continua busca do Economia para encontrar mais e melhores recursos para investigadores e estudantes de economia deparei-me com uma página dedicada a estudantes de doutoramento, com diversas dicas e material para quem está a iniciar este percurso. Esta página de nome Econphd foi já carregada na barra esquerda na categoria de economia em geral. Podemos encontrar nesta página desde referências à bibliografia essencial, livros de instruções de como publicar com sucesso artigos em revistas cientificas e conselhos para candidaturas a cursos de doutoramento. Estes manuais além do seu interesse especifico não se limitam a ser um conjunto de dicas óbvias mas autênticos fact books cuja informação pretende ser a mais pormenorizada possível. Além de todos estes recursos esta página também possui uma lista de manuais online de diversos docentes. Muitos destes manuais são autênticos livros de texto por publicar tal a sua extensão e pormenor. Organizados em quatro grandes grupos específicos, microeconomia, macroeconomia, economia matemática e econometria existem depois vários sub-grupos mais específicos com os diversos links para os textos ou páginas destes docentes. O link directo para esta página pode ser encontrado em baixo: - Lecture Notes Online from Econphd |
O economia continua a sua apresentação do trabalho do realizador inglês Adam Curtis agora com a série "The Century of the Self". Esta série tenta demonstrar como as ideias de Sigmund Freud foram fundamentais durante todo o século 20, discutindo as suas implicações e aplicações, por políticos, homens de negócios e marketeers. Este primeiro episódio aborda a vida e o trabalho do sobrinho americano de Sigmund Freud, Edward Bernays, o fundador do marketing e relações públicas modernos. Um homem com uma notoriedade reduzida mas que ajudou a moldar o mundo moderno à sua maneira. "This series is about how those in power have used Freud's theories to try and control the dangerous crowd in an age of mass democracy." - Adam Curtis |
![]() Matemático de formação, Frank Ramsey dividiu as suas contribuições cientificas entre a lógica e filosofia, ética e política, biologia, teoria das probabilidades, economia e obviamente a matemática. Apesar de ter morrido em 1930 vitima da icterícia com apenas 27 anos, Ramsey desde cedo demonstrou a sua precocidade para abordar problemas complexos em várias ciências, interessando-se não só pelas questões filosóficas mas também pela aplicação de uma abordagem matemática às diversas questões cientificas. Incentivado por John Maynard Keynes, um dos seus mentores, a abordar a ciência económica (julga-se que desde os seus 16 anos), Ramsey desde logo demonstrou a sua genialidade discordando com o famoso economista inglês em questões fundamentais para a filosofia económica e contribuindo de forma decisiva para a economia moderna. Muitas destas contribuições só mais tarde, décadas em certos casos, foram assumidas como decisivas. A razão principal para isso deve-se certamente à sua morte precoce e à sua abordagem inovadora que só mais tarde foi compreendida e aceite na sua totalidade. Entre os seus vários contributos para a economia existem três que podem ser considerados decisivos. Em primeiro lugar e talvez a mais ignorada, encontra-se a sua critica a Keynes em relação à teoria das probabilidades. Keynes assumia que na presença de informação perfeita as probabilidades deveriam no limite ser determinísticas. Ramsey discordou afirmando que as probabilidades seriam subjectivas e dependeriam das crenças individuais especificas. Esta proposta abriu o caminho para a conhecida teoria das escolhas subjectivas em conceito de incerteza, ou teoria do risco, e a teoria dos jogos, onde as suas ideias seriam mais tarde fundamentais para o trabalho de John von Neumann, Oskar Morgenstern e mais tarde John Nash. Ramsey no entanto sempre recusou estender as suas ideias acerca da probabilidade à física, alegando que nestes casos algo mais que a subjectividade teria de estar em causa. Frank Ramsey também foi o pai da teoria do crescimento económico moderno com a sua teoria matemática da poupança ou também conhecida como a teoria do crescimento óptimo. As ideias de Ramsey são ainda a base de toda a teoria neo-clássica do crescimento económico, sendo o seu trabalho em certa medida mais completo que aquele que valeu o prémio Nobel da economia a Robert Sollow (isto é uma opinião pessoal e de qualquer forma o trabalho de Sollow não deixa de ser um dos contributos mais decisivos na teoria do crescimento económico). Esta é uma das histórias curiosas da economia, pois o trabalho de Ramsey ficou literalmente esquecido durante cerca de quase quatro décadas, sendo mais tarde confirmado por Tjalling Koopmans e David Cass naquele que ficaria conhecido como o modelo de Ramsey-Cass-Koopmans no final da década de 1960. A razão para este esquecimento deve-se ao método matemático usado por Ramsey. Na sua época os problemas matemáticos dinâmicos eram resolvidos através do método conhecido como cálculo varacional, apenas mais tarde com a publicação do trabalho dos matemáticos russos liderados por Lev Pontryagin em finais da década de 1950, acerca das condições necessárias para a obtenção de óptimos dinâmicos, conhecida como a teoria do controlo óptimo, pôde o trabalho de Ramsey ser confirmado. Apesar de estar limitada na sua abordagem matemática, os resultados de Ramsey aguentaram esse duro teste e mantiveram-se até hoje, servindo a metodologia do controlo óptimo apenas para os confirmar. Na "Contribuição para a teoria da taxação", Ramsey aborda qual será a a politica óptima de taxação num contexto de ausência de qualquer motivação de equidade e redistribuição. Discuto alguns dos seus resultados aqui. Apesar de muito criticado pelas mesmas razões que basearam as suas ideias, os resultados de Ramsey continuam a ser robustos ainda hoje, mesmo num contexto dinâmico, apesar de se basearem num modelo estático no tempo. Por ter sido um dos maiores cientistas do século XX apesar de geralmente ser apenas conhecido no meio académico, muito provavelmente não fosse a sua morte precoce e Frank Ramsey hoje seria conhecido pelo público em geral, o Economia deixa aqui a sua homenagem a Frank Ramsey. |
De forma a terminar o tema da simulação de problemas de valor inicial em sistemas dinâmicos, iniciado com a apresentação do software de John Polking, descrito neste post, e a apresentação de um script genérico para Matlab com o objectivo de permitir uma melhor parametrização, apresentado neste post, venho aqui apresentar uma aplicação especifica baseada num modelo de crescimento endógeno com transições que desenvolvi para o meu projecto de dissertação, "Endogenous Growth in a Small Open Economy: Optimal Fiscal Policy and the Informal Sector". Os detalhes para este modelo ainda não são disponibilizados, desta forma pode-se considerar que esta aplicação parte ainda de uma "caixa negra" que ainda não foi formalmente apresentada. A razão para esta opção deve-se ao necessário período de peer-review que estes abordagens da economia matemática necessitam antes de se avançar para uma apresentação formal. No entanto, posso garantir que toda a abordagem analítica efectuada sustenta os resultados numéricos apresentados e está de acordo com a abordagem na literatura acerca de modelos de crescimento endógeno com transições. Livros de texto como o Economic Growth, de Xavier Sala-i-Martin e Robert Barro discutem este assunto em termos analíticos com algum detalhe (não deixo aqui uma referência mais especifica para o livro porque existem diversas versões e edições disponíveis). O documento com o modelo de transições, parametrização numérica e resultados das simulações a partir do software de John Polking para MATLAB e do simulador genérico para problemas de valor inicial de minha autoria para MATLAB estão disponíveis para download em baixo. Deixo também aqui o script especifico utilizado para este modelo, para quem quiser experimentar ou tirar dúvidas em relação ao script genérico que apresentei anteriormente. Click to download (pdf format): Example_simulation_transition_initvalue Click to download (m-file format): Convergence_initvalue |
![]() A utilização de um m-file construído de raiz para a resolução deste tipo de problemas tem a vantagem de permitir uma completa parametrização e controlo do output para simulações mais complexas de problemas em tempo continuo. Além disso, é possível também obter a transição no tempo de outras variáveis compostas por combinações de variáveis e parâmetros, o que não é possível de fazer usando os programas disponibilizados por John Polking. Não pretendo no entanto substituir com este script genérico para MATLAB nenhum dos programas referidos, apenas pretendo disponibilizar um script fácil de personalizar para utilizadores iniciados em MATLAB que pretendam desenvolver capacidades de simulação de sistemas dinâmicos em tempo continuo, através da utilização de simulações numéricas matemáticas. Aliás, como já tinha referido antes, julgo que a utilização de programas como o de John Polking em conjunto com scripts personalizados favorece a investigação e permite que a parametrização do script especifico seja mais rápida, pois permite observar alguns problemas que surgem antes de se começar a programar e experimentar. Isto não só permite reduzir o tempo empregue na construção de simuladores como também melhorar a qualidade das simulações. Deixo aqui então o link para download do script genérico em MATLAB com instruções precisas para a parametrização. O ficheiro encontra-se já no formatom m-file para MATLAB. Click to Download (m-file format): Generic ODE Initial Value Simulator Click to Download (text format): Generic ODE Initial Value Simulator Uma aplicação que usa o software de John Polking e o simulador genérico para MATLAB num modelo de crescimento endógeno com transições para análise numérica pode ser encontrado aqui: Exemplo para simulação de problemas de valor inicial em sistemas dinâmicos |
![]() Vejamos os últimos acontecimentos. Depois de Rui Moreira ter denunciado um possível conluio para a escolha dos patrocinadores da opção Alcochete, o ministério que Mário Lino lidera veio desmentir em comunicado oficial essa hipótese, para no dia seguinte dizer que estava disposto a analisar a proposta da Portela mais um, que pelos vistos será financiada pelos tais "possíveis" excluídos (Associação Comercial do Porto) do estudo de alternativas à OTA, "possivelmente" negociado entre o governo e a CIP. Como o crash course de Mário Lino em direcção à OTA é um caminho mais estreito que muitos julgam, hoje surge com a impressionante declaração que a opção Portela mais um é na sua opinião uma opção inviável em termos operacionais e financeiros. No entanto reafirma a sua intenção de a analisar e avaliar esta possibilidade. Ou seja, Mário Lino diz que está disposto a perder o tempo e dinheiro dos contribuintes numa opção que ele não considera como viável e interessante. Qual será objectivo de tal análise se já decidiu noutro sentido? De qualquer forma não atribuo muita importância a estas incoerências e contradições continuadas pois considero que devem ter sido resultado de um almoço qualquer e sei que com o tempo a memória começa a falhar a todos e especialmente a alguns a seguir ao almoço. Assim deixo aqui um pedido ao Sr. Mário Lino. Avalie todas as hipóteses razoáveis que têm sido apresentadas, mas faça-o antes de almoço como fez quando optou por construir a OTA. Ou seja, antes de se referir à OTA como o seu projecto pessoal, para depois dizer que este já era um projecto do anterior governo PSD e entretanto referir que era a opção viável tendo em conta o deserto que existe na margem sul Tejo. Antes dessa fase Sr. Ministro, se me entende, é que já nem eu me consigo recordar de tudo o que disse, tal é a velocidade com que profere declarações contraditórias. |
Ainda na continuação do review do livro de David Landes "A riqueza e a pobreza das Nações- Por que são algumas tão ricas e outras tão pobres" no Economia, deixo aqui uma entrevista online de David Landes à TSF de 2003 em que o seu livro é um dos temas centrais: David Landes em entrevista à TSF em 2003. |
![]() Apesar destas limitações Landes não se deixa impressionar e, numa autentica revisão da história económica moderna mundial, tenta apresentar os vários casos de sucesso e fracasso económico que ocorreram ao longo destes últimos cerca de 700 anos com um especial ênfase para os últimos 300 a 500 anos. A abordagem escolhida para realizar este esforço gigantesco é uma introdução com algumas ideias específicas e um cruzar de casos que se podem dividir em três grupos, nações, impérios e continentes ou sub-continentes. Apesar de parecer um pouco confusa esta abordagem, a principal intenção é a de afirmar as suas ideias, geralmente baseadas num pragamatismo neo-clássico institucionalista, em relação ao desenvolvimento e crescimento económico, as suas bases e causas. O autor pretende ainda demonstrar como esses fenómenos ao longo do tempo provocaram choques entre civilizações e como essa interligação não só produziu resultados como foi fundamental para determinar a hierarquia das nações que hoje vigora. Em suma, só podemos compreender o verdadeiro objecto da obra de Landes depois de a lermos na totalidade e digerirmos a quantidade impressionante de informação que esta contém. Acreditem que não é fácil terminar as cerca de 700 páginas da edição portuguesa e ao mesmo tempo seguir as inúmeras e detalhadas referências que cada capitulo contém e que são fundamentais para a compreensão da visão de David Landes. Esta visão muita especifica de Landes caracteriza-se, como já tinha referido, por um pragmatismo neo-clássico institucionalista, que vai buscar ao baú do politicamente incorrecto algumas ideias polémicas como a geografia económica da primeira metade do século 20 e o eurocentrismo. Estas ideias custaram a carreira a muitos investigadores no passado devido ao revisionismo anti-imperialista que varreu as ciências sociais a dada altura. David Landes não foge das suas convicções mas também não se refugia no determinismo que estas ideias em tempos se basearam. Ele tenta enquadra-las na sua tese e tenta mostrar ao longo do livro como estas ideias muitas vezes ligadas a uma certa superioridade civilizacional foram fundamentais para o desenrolar da história e para o seu impacto na economia. Uma boa forma de resumir as suas ideias e o seu descomprometimento com as diversas correntes da história é a sua retórica em relação ao eurocentrismo. Porque não deverá ser a história do sucesso económico eurocêntrica se a Europa foi a região que mais progrediu e influenciou o mundo nos últimos 500 anos? A base para este critério está nas suas ideias neo-clássicas e institucionalistas. Os mercados são fundamentais mas só num estado de direito e de alguma forma liberal. A politica, instituições e cultura acabam por se sobrepor no fundamental à economia mesmo que por vezes pareça o contrário. Aliás Landes aplica esta tese para explicar não só o sucesso de nações como Portugal e Inglaterra em dados momentos da História, quando o contexto geopolítico não era muito favorável. Ambas enfrentavam vizinhos mais poderosos militarmente, financeiramente e em certa medida tecnologicamente, mas Landes demonstra como o enquadramento institucional foi fundamental para triunfarem nesta situação de aparente desvantagem económica. De forma a demonstrar as suas ideias, Landes apresenta alguns exemplos das implicações dos diferentes enquadramentos institucionais. Inglaterra é apresentada como uma nação cuja maior vantagem era a existência de um estado liberal em termos legais e económicos que permitiu à iniciativa privada liderar e desenvolver as suas actividades com racionalidade económica, em comparação com França, um país mais rico, em termos de manufactura mais avançado e com maiores recursos financeiros e agrícolas. A expressão destas diferenças vem como sempre nesta obra sob a forma de exemplos concretos, como o desenvolvimento da rede rodoviária nestes dois países. França, dominada por um poder público importante e por elites com raízes na aristocracia, construiu magnificas estradas que ligavam cidades distantes. O problema dessas estradas era não serem racionais, estavam sempre distantes das povoações e os seus custos de manutenção e segurança eram astronómicos, o que impedia uma rápida disseminação pelo território francês. Inglaterra não tinha recursos para tais obras públicas, assim tiveram que ser os empreendedores privados a promover as vias de transporte. Isto foi possível através de um sistema de exploração da propriedade privada de forma a sustentar a distribuição de produtos e baseada num sistema anárquico de caminhos e portagens. Muitas vezes estas estradas eram de péssima qualidade e tão estreitas que apenas os transportes práticos e fisicamente preparados, em oposição às luxuosas carruagens da elite francesa, conseguiam enfrentar. Além disso não existia interesse em desenvolver vias muito distantes, o próximo entreposto comercial era o suficiente, um empreendimento deveria ser o mais racional em termos de custos e principalmente chegar a algum lado. Isto permitiu desenvolver o sistema de estalagens inglesas ao longo das estradas que serviam os inúmeros viajantes que as frequentavam. Business generates business and so on. Em relação a Portugal, e mais especificamente ao seu período áureo dos Descobrimentos, Landes demonstra como o pragmatismo económico e o enquadramento institucional público/privado foram fundamentais. Ao contrário de muitas ideias de heroísmo que existem acerca dos nossos navegadores, Landes destaca a preparação cuidadosa de todas as viagens e a partilha do risco entre o sector público e privado das actividades a desenvolver. Landes afirma que uma das razões do sucesso português foi o seu imperialismo militar moderno e global precoce. Tudo dependia da informação adquirida, negociações e empreendimentos escolhidos, e em caso de possíveis problemas disparar primeiro e fazer perguntas depois. Disparar é claro os poderosos canhões e de preferência a partir de barcos, a distância e alcance das armas e a superioridade naval eram fundamentais para a intimidação. Landes dá dois exemplos para esta lógica, em primeiro lugar a negociação do Tratado das Tordesilhas, onde existe clara evidência de um conhecimento geográfico muito superior por parte dos portugueses, um pouco à maneira dos serviços de informação modernos. Em segundo lugar, as instruções recebidas por Vasco da Gama na sua calculada viagem até à Índia. Obter informações comerciais e contratos lucrativos se possível em terra e se abordados avisar primeiro e depois disparar. Não interessava saber as intenções dos outros quando isso podia ser muito arriscado, interessava isso sim defender os nossos interesses. Por último, neste já longa apresentação, deixo aqui para terminar duas páginas com reviews mais e/ou menos "simpáticos" acerca do livro de David Landes e a página habitual do Amazon para "A Riqueza e a Pobreza das nações": The Wealth and Poverty of Nations: Why Some Are So Rich and Some So Poor no Amazon; Review da página académica de Bradley Delong com vários comentários; Criticas no site Rise of the West. |
![]() Um resumo das acusações de Rui Moreira, mais um dos whistleblowers da OTA, podem ser encontradas neste pequeno excerto do jornal Público. |
![]() Este renovar de acusações de Paulo Morais é especialmente relevante numa altura que se vai escolher o executivo camarário intercalar da CML. Já me tinha referido aos verdadeiros problemas da cidade num post anterior com o titulo: Lisboa- Lidar com o verdadeiro problema. Não gosto de me referir às causas da desgraça urbanística, apesar de elas serem óbvias, pois não possuo provas que confirmem as minhas especulações. Assim, dedico-me como economista a discutir os efeitos e consequências das opções que são tomadas, como o fiz nesse post. Na sequência da campanha autárquica para a CML, domingo também tem sido um dia de revelações. Já tinha expressado as minhas dúvidas acerca do programa do candidato socialista, António Costa, para a CML. Nesse post ataquei a propaganda por correio deste candidato como demagógica e coloquei uma série de perguntas acerca das suas verdadeiras intenções. Hoje em noticia no público, aqui, parte das minhas dúvidas ficaram esclarecidas e começo a ter certezas que o próximo poder autárquico em Lisboa não vai ser nada diferente dos anteriores. Afinal todas aquelas "coisas bonitas" a que António Costa se referia na sua propaganda foram ultrapassadas pela necessidade de pôr uns projectos imobiliários a avançar já nos próximos tempos. Tal como a noticia refere, a candidatura de António Costa vê como prioritários dois projectos de pura especulação imobiliária. O primeiro refere-se à ocupação do antigo parque industrial de Braço de Prata com um empreendimento de luxo e a segunda a uma torre na zona de Santos com 110 metros de altura. Novamente deixo aqui as minhas interrogações acerca da validade destes projectos e pergunto: Para quando um parque industrial high tech na cidade? Provavelmente quando todas as antigas zonas industriais tiverem sido alvo da especulação imobiliária. Porque não dar condições à iniciativa privada para reabilitar a zona urbana do Cais Sodré- Santos em vez de se construir um complexo comercial com uma torre de 110 metros de altura? Esta zona está praticamente desabitada e é uma antiga zona de armazéns onde lojas e negócios variados se poderiam instalar com custos relativamente baixos e a única coisa que trava este processo é a conhecida burocracia autárquica. Adivinham-se mais programas de reabilitação urbana pública para viabilizar estes projectos de especulação urbana e imobiliária. Para uma apresentação mais completa dos novos empreendimentos propostos pela candidatura socialista à CML deixo aqui em os seguintes artigos: Renzo Piano Braço de Prata Housing Complex no blog- A Barriga de um Arquitecto; Apresentação do projecto de Norman Foster no DN de 7-12-04; Discussão do projecto de Norman Foster no DN de 3-3-07. |
Terceiro e último episódio do documentário de Adam Curtis sobre o impacto da teoria dos jogos nas ciências sociais e o seu reflexo na sociedade ocidental nas últimas três décadas. Primeiro e segundo episódio encontram-se aqui. -The Trap: What happened to our dream of freedom (ep.3 of 3) Desta vez deixo aqui o link aqui para uma playlist num blog com o mesmo nome da série porque não consegui encontrar o video completo do 3º episódio no google video. |
No Blog de James Hamilton e Menzie Chinn, Econbrowser, encontrei dois excelentes artigos acerca do mais que provável abrandamento económico dos EUA nos próximos meses e do processo de ajustamento monetário e cambial que se avizinha que já tinha referido neste post. Pelos vistos a questão já chegou a um nível politico e irá ter desenvolvimentos nos próximos tempos, sendo provável uma retaliação comercial dos americanos devido à politica monetária extremamente agressiva da China. Os dois posts a seguir com atenção podem ser encontrados aqui: Keeping China's Yuan in PerspectiveLessons from the yield curve |
Depois de várias buscas a procurar listas de blogs de economistas ou acerca de economia encontrei esta lista de blogs supostamente todos académicos na Wikipedia de língua inglesa. Ainda com muito para editar deixo aqui o link:Blogs in EconomicsInfelizmente não encontrei nenhuma página que listasse blogs em língua portuguesa acerca de economia e como não tenho muito jeito para editar conteúdos no Wikipedia deixo aqui a sugestão... |
![]() Basicamente Romer apresenta um estudo de bifurcações para o problema de Ramsey em economia fechada e determina as combinações de parâmetros onde o crescimento óptimo descentralizado é endógeno, neoclássico ou indeterminado. No entanto, a hipótese fundamental é que existem externalidades positivas ao nível agregado que os agentes e as firmas não levam em consideração nas suas escolhas mas que afectam o output final. Essas externalidades existem e não têm custos porque surgem de um processo de aglomeração industrial. A partir da última década do século passado foram propostas várias funções de produção que consideram os gastos públicos como uma hipótese alternativa para a ideia inicial de Romer. Estas hipóteses consideravam que os gastos públicos poderiam produzir externalidades positivas na aglomeração e negativas através do congestionamento. Para a teoria do crescimento endógeno a primeira hipótese permitiu estudar a politica fiscal num contexto de crescimento óptimo e da teoria do bem estar, em que o Estado tinha um papel económico ao nível agregado mas tinha de cobrar impostos para conseguir providenciar os seus serviços. Estas abordagem é hoje conhecida como a teoria da politica fiscal óptima num contexto endógeno. Um excelente resumo da abordagem da politica fiscal e monetária em diferentes contextos macroeconómicos e de crescimento pode ser encontrada no artigo de V.V. Chari e Patrick Kehoe, "Optimal Fiscal and Monetary Policy". Apesar da diversificação actual da investigação nesta área escolhi trazer aqui apenas as conclusões de Stephen Turnovsky, um dos autores mais relevantes e intuitivos a abordar estas hipóteses num contexto de pequena economia aberta. No artigo a que me vou referir, "Fiscal Policy and Growth in a Small Open Economy with Elastic Labour Supply" (working paper version link), Turnovsky estende as ideias debatidas nos parágrafos anteriores e acrescenta elasticidade à oferta de trabalho, permitindo aos agentes escolhas entre trabalho e lazer. Num exercício do tipo daqueles que encontramos na economia do bem estar em que o óptimo do ditador benevolente é comparado com o óptimo descentralizado Turnovsky obtém os seguintes resultados:
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![]() Sr. António Costa, venho aqui escrever-lhe esta carta aberta a pedir-lhe que não me envie mais publicidade da sua campanha para minha casa. Já tenho inúmeras corporações a fazer isso todos os dias e esperava que com a recusa de financiamento público por parte da Assembleia da República, a dose de poluição generalizada produzida pela campanha eleitoral fosse reduzida a níveis racionais, noto no entanto que a falta de dinheiro para a campanha deve ser só problema de alguns. Sr. António Costa, pior do que poluir a minha caixa de correio sem me pedir a minha opinião e consentimento é polui-la com propaganda e demagogia barata ainda pior que aquelas empresas que dizem que ganhámos um prémio. Por favor, Sr. António Costa, não chame independente ao Sr. Manuel Salgado proprietário da empresa de arquitectura Risco. Não sei como alguém que é um dos principais beneficiários de qualquer projecto de reabilitação urbana e promoção imobiliária pode ser independente do que se passa de errado em Lisboa. Por favor, Sr. António Costa, não diga que vai resolver os problemas da cidade e resolver a questão urbana quando tem na sua lista, nos cinco primeiros lugares. uma antiga vereadora da habitação, intervenção social e educação e um administrador não executivo de um banco de investimento imobiliário. Não acho justo enviar-me publicidade acerca de mudar realmente a cidade quando existem pessoas na sua lista que fazem de certa forma parte, ou fizeram, dos problemas da cidade. Por último queria perguntar-lhe algumas coisas, Sr. António Costa. Que nova estratégia é essa que fala para a cidade e que projectos são esses que o senhor não se refere especificamente? Que revisão do PDM vai o senhor implementar se alguma vez tiver o poder para isso, importava-se de especificar ou convém não referir por enquanto? Sr. António Costa, porque precisa de uma maioria para governar? Que me recorde da última vez que existiu uma maioria clara nos órgãos camarários acabámos com três eleitos arguidos em processos de corrupção urbana! Sr. António Costa, como se propõem a resolver o problema de gestão global da câmara e não apenas o financeiro? Julgo que não basta referir que se vai fazer mas é preciso definir como! Por último, Sr. António Costa, que raio de liderança, projecto e novas exigências para a cidade é essa que fala? Eu vivo por cá e estou farto de exigências sem contrapartida! Por todas estas razões peço-lhe Sr. António Costa que não polua a minha caixa de correio com publicidade de má qualidade, deixe isso para as corporações mais atrevidas. Não é bonito andar a falar em espaços verdes quando durante a campanha destruímos mais espaços verdes que construímos depois quando eleitos. Por isso, Sr. António Costa, deixo-lhe novamente o meu apelo, pode ganhar, governar e fazer o que lhe for possível para o pior ou melhor mas por favor não polua mais a minha caixa de correio. |
Como ainda vão acontecendo muitas coisas boas por Lisboa deixo aqui um vídeo que encontrei no You Tube, do segundo concerto dos Beastie Boys em Portugal, que decorreu na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa ontem à noite. Já com uma certa idade, mas ainda a tempo, fica aqui um "cheirinho" do concerto instrumental de ontem. |
![]() Um dos melhores livros para começar é sem dúvida o Applied Econometric Time Series de Walter Enders. Este livro, extremamente intuitivo, explana a teoria de base das séries temporais e introduz o leitor à modelação aplicada em EViews. Existem duas vantagens em seguir um livro assim. Primeiro segue-se a teoria matemática estocástica da econometria aplicando-se a situações reais, o que permite não só uma melhor compreensão dos assuntos e sua aplicação o que potencia a capacidade de assimilação da teoria por parte do leitor. Em segundo lugar o software EViews é user-friendly e permite aplicações poderosas e avançadas sem termos de recorrer a nenhum tipo de programação, usando apenas os menus para o efeito. Além disso, o EViews tem um help file bastante completo que permite ao utilizador não só iniciar-se facilmente como também resolver situações mais complicadas sem grande esforço. Porque é o livro de Walter Enders o documento ideal para um futuro modelador começar o seu trajecto? Em primeiro lugar raramente este livro deixa questões por responder, o autor Walter Enders disseca todos os procedimentos teóricos e aplicados para todos os assuntos discutidos. Não faltam exemplos ao longo do livro de todos os modelos discutidos e a apresentação é quase sempre irrepreensível, o que não é usual nesta área. Em segundo lugar os sete capítulos deste livro seguem o caminho adequado para um iniciado nas séries temporais com bases em econometria. Nos quatro primeiros capítulos somos introduzidos ao desenvolvimento e aplicação de modelos univariados. Equações diferenciais e as séries temporais, modelos ARMA e GARCH e modelos com tendência. Apenas no capitulo referente aos modelos com tendência parece a fluidez do texto ser afectada, não só em termos pedagógicos e cientificos como em termos de apresentação, tornando-se assim o único ponto fraco deste texto. Nos capitulos quinto e sexto temos a introdução aos modelos multivariados, Vectores auto regressivos, cointegração e vectores de correcção de erro. O leitor tem a oportunidade de conhecer facilmente a complexa teoria envolvida e é apresentado a várias especificações para aplicar em Eviews. O último capitulo introduz o leitor a modelos não lineares e com mudanças de regime sendo o final perfeito para um livro introdutório mas avançado. ![]() Fica aqui assim a minha sugestão para todos aqueles estudantes ou profissionais que pelas mais diversas razões pretendam desenvolver capacidades de modelação avançada e análise macroeconómica. Seguir estes dois livros vai permitir o leitor desenvolver capacidades aplicadas nesta área, sem a habitual dispersão e obtusidade promovida pelo literatura académica e que em conjunto formam o pacote ideal para aqueles que pretendem ser quase-experts nesta área. |
![]() Existem algumas semelhanças entre as ideias discutidas aqui e a crónica que já anteriormente tinha escrito- "Flexigurança, a Empresa X e a rigidez salarial assimétrica". Fica aqui o link para quem quiser seguir este assunto... |
Segundo episódio do documentário de Adam Curtis sobre o impacto da teoria dos jogos nas ciências sociais e o seu reflexo na sociedade ocidental nas últimas três décadas. O primeiro episódio pode ser encontrado aqui. Chamo a atenção novamente para a impossibilidade de se usar a função de full-screen fora do google video e deixo a sugestão para utilizarem o link do google video se pretenderem ver o filme dessa forma. Apesar do inicio ser igual ao anterior episódio isso deve-se ao facto de este ser um documentário de três horas e a introdução servir como prólogo para todos os episódios. |
![]() Assim em jeito de divulgação cientifica deixo aqui uma introdução ao potencial dos simuladores de ODE's para MATLAB que John Polking divulga na sua página pessoal. Em primeiro lugar temos a rotina DFIELD para análise de uma ODE, o PPLANE que nos permite analisar os diagramas de fase de sistemas dinâmicos de duas dimensões e finalmente o ODESOLVE que permite observar trajectórias de sistemas dinâmicos de várias dimensões, todos eles utilizam rotinas de problemas de valor inicial existentes no MATLAB. ![]() Todos estes m files para MATLAB encontram-se disponíveis para download neste link. Como se isto não basta-se John Polking é um dos autores de Ordinary Differential Equations using MATLAB que tem uma versão online antiga em pdf disponível neste link. Este manual além de ajudar à iniciação de rotinas para ODE em MATLAB tem os vários capítulos que servem de suporte às rotinas descritas. Como exemplo do potencial destes simuladores user-friendly deixo aqui o diagrama de fases em três dimensões e em duas dimensões (só as variaveis x,y) do problema conhecido por Lorenz Strange attractors. Além de bastante simples de configurar os sistemas que queremos simular numericamente, todas as rotinas possuem uma galeria de problemas conhecidos, este encontra-se como é óbvio apenas no ODESOLVE. Eventualmente tive de criar as minhas rotinas no MATLAB para conseguir obter um maior controlo sobre as minhas simulações, no entanto, não posso deixar de referir a tremenda utilidade dos programas de John Polking, que permitem fazer uma abordagem inicial a sistemas complexos sem se perder tempo excessivo de programação. Muitas vezes essas intuição inicial revela-se fundamental na concretização de simulações mais complexas como foi o meu caso. O script genérico para simular problemas de valor inicial para sistemas de ODE pode ser encontrado aqui, este já é o script para MATLAB que é possível parametrizar: Simulador genérico em MATLAB para sistemas de ODEUma aplicação que usa o software de John Polking e o simulador genérico para MATLAB num modelo de crescimento endógeno com transições para análise numérica pode ser encontrado aqui:Exemplo para simulação de problemas de valor inicial em sistemas dinâmicos |
![]() Mexia defende manutenção da posição do Estado na EDP Parece-me que as tarifas altas e o abuso de posição dominante sempre servem para alguém prosperar e não servem só para implementar a rede eólica nacional. Esperemos que a privatização anunciada preveja na sua totalidade este contributo magnifico dos contribuintes e consumidores portugueses para criar multinacionais, empregos e inovação a nível mundial. |
![]() Nestas curtas entrevistas Poul Rasmussen novamente reafirma as suas convicções em relação à Flexigurança e insiste no seu modelo, como uma possibilidade de politica de trabalho para os países desenvolvidos que pretendam lidar com os desafios da globalização. Concordo com quase todas as ideias de Poul Rasmussen em relação aos mercados de trabalho e desafios futuros, com excepção da ideia que podemos estar a debater a questão durante 5 a 6 anos antes de tomarmos medidas que invertam as tendências que hoje existem no mercado de trabalho português. Sou da opinião que é possível neste momento fazer algo sem custos adicionais para o Estado que melhore significativamente a situação. Em primeiro lugar queria definir aquele que eu acho ser o maior desequilibro da legislação laboral e quais as suas implicações. Neste momento existem restrições enormes ao despedimento individual, criadas pelo código do trabalho de Bagão Félix, contratação colectiva, pelas mesmas razões, e aumento dos custos de segurança social para as empresas impostas pela nova lei do subsidio do desemprego, nomeadamente restrições em relação às indemnizações e subsidio de desemprego e também as restrições ao lay off em termos temporais. Este desequilibro legislativo tem sido na minha opinião o grande responsável pelo desemprego até aos 35 anos, especialmente em relação aos trabalhadores qualificados, pois é um enquadramento institucional que beneficia claramente os trabalhadores com mais experiência no mercado de trabalho em detrimento dos restantes grupos. Deixo aqui o link para o relatório do emprego no 1º trimestre do INE cujos números confirmam esta tendência. Qual o problema que foi criado por esta legislação? Coloco-me no lugar do empregador que pretende contratar alguém com determinadas qualificações para responder a esta questão. Quando escolho um novo trabalhador existe um determinado grau de incerteza em relação à sua real competência, sendo que eu como empregador tenho de determinar através da informação dada pelo candidato a sua qualidade potencial. O trabalhador sinaliza as suas qualidades geralmente através da educação adquirida e experiência anterior. Não é muito difícil perceber que qualquer empregador enfrenta uma assimetria de informação em relação às qualidades do trabalhador e que esta diminui à medida que a experiência do trabalhador aumenta, pois é mais fácil aferir da sua qualidade desta forma. Este jogo tem outra implicação óbvia, os trabalhadores enfrentam um problema de risco moral pois pode-lhes ser benéfico tentar mostrar, através da sua sinalização ao empregador, mais qualidades do que aquelas que realmente têm, de forma a enganar o empregador. Este problema, como é óbvio, diminui à medida que o trabalhador adquire uma experiência no mercado que torne mais fácil aferir da sua competência. No inicio tinha referido que a legislação actual aumenta o problema que que acabei descrever, desequilibrando a situação a favor ainda mais em relação aos trabalhadores com mais experiência. Em primeiro lugar porque aumenta brutalmente os custos de lay off dos trabalhadores com mais experiência através da transferência de custos de segurança social do Estado para as empresas, das restrições impostas em relação ao número de lay offs em determinado momento no tempo e nas enormes restrições ao despedimento individual impostas pelo código do trabalho. Em Portugal é mais fácil despedir cinco pessoas de uma vez e chamar-lhe despedimento colectivo do que apenas uma. Estas restrições e custos impostos às firmas limitam drasticamente as suas capacidades de reestruturação, além de limitarem a entrada de novos trabalhadores, não só pela falta de lugares disponíveis como também pelo custo implícito que existe ao contratar um novo trabalhador. Este custo aumenta com a incerteza em relação à competência do trabalhador. Em segundo lugar porque implica que as empresas façam um trade-off entre experiência dos seus trabalhadores versus juventude e novas qualificações, implicando directamente na politica da firma e limitando a sua organização interna. Não acredito que regulação da organização dos recursos humanos de uma firma deve ser o objecto de nenhuma legislação laboral. O que podemos fazer acerca disto? Além das óbvias alterações legislativas necessárias de forma a não tornar o código do trabalho e a lei do subsidio do desemprego entraves ao desenvolvimento e ao emprego, como uma maior abertura ao despedimento individual, reabilitação da contratação colectiva e fim das restrições económicas à reestruturação empresarial, podemos também criar incentivos sem custos adicionais de forma a inverter todo a tendência do desemprego dos mais jovens. Uma medida razoável neste contexto seria a possibilidade de contratação por parte das firmas de um individuo até aos 35 anos, uma única vez, durante um máximo de três anos sem custos de segurança social, sem direito a subsidio de desemprego em caso de cessação do contrato durante esses três anos ou da sua não renovação e com indemnizações iguais a metade da indemnização legal em caso de rescisão antes do final do período de três anos. Esta simples medida permitiria reduzir o risco de contratação de trabalhadores mais jovens por parte das firmas e melhorar o equilíbrio entre gerações no mercado de trabalho com custos limitados para os trabalhadores mais velhos. Adicionalmente, esta politica não teria custos para o Estado sendo que permitiria aumentar as suas receitas através de IRS dos novos trabalhadores, IRC das firmas através do crescimento económico e IVA através de um aumento da actividade económica com o aumento do emprego entre a população mais jovem. Além destas razões temos de adicionar também a diminuição dos custos em relação aos subsídios de emprego e formação dos trabalhadores jovens que venham a ser empregados neste programa e também aqueles que continuam mais tempo empregados no futuro. Estes rendimentos e poupanças descritos poderiam servir posteriormente para apoiar os trabalhadores mais velhos através de subsídios de desemprego, formação e incentivos à criação de empresas que poderiam ser afectados por esta politica. Não pretendo impingir as minhas convicções que para alguns serão liberais queria apenas terminar por dizer que não acredito na actual politica laboral deste governo. Continuar a falar de flexisegurança e depois aplicar medidas restritivas às firmas e ao mercado de trabalho não me parece que vá resolver o problema nem seja correcto do ponto de vista politico. Adicionalmente também não concordo que as alterações ao código do trabalho sejam feitas por base num livro branco que ninguém conhece e nunca foi discutido e que estas alterações estejam só previstas para o próximo ano. Este critério opaco e nada proactivo não faz o meu feitio e deixa-me sérias dúvidas em relação à discussão e alterações que serão introduzidas no futuro. |
De forma a diversificar os conteúdos disponíveis no economia decidi criar uma secção destinada a documentários relacionados com a economia, politica e sociedade. Seguindo a tradição das exibições de cinema alternativo irei seguir uma apresentação baseada em autores, sendo o primeiro a ser apresentado o realizador inglês Adam Curtis vencedor de vários prémios Bafta na categoria de documentário. Este documentário, The Trap, está dividido em 3 episódios, sendo o titulo deste episódio - What happenned to our dream of freedom. O tema abordado é a introdução da teoria dos jogos nas ciências sociais, nomeadamente na psicologia e economia, e o seu impacto na politica e na sociedade ocidental durante as últimas décadas. Entre outros notáveis podemos encontrar a participação do próprio "pai" da teoria dos jogos, John Nash. Devido à impossibilidade de carregar o comando de full-screen com esta versão do flash player talvez seja aconselhável seguir o link do google video que vai directamente para o filme e que se encontra no próprio flash player. No google video já é possível utilizar a opção full screen. |